4.2.18

fantasma.

Domingo à noite parece ser realmente a hora mais solitária do mundo. Acredito que algumas coisas aconteceram no domingo apenas porque de noite temos um outro pensamento. Domingo à noite, um pouco depois do sol se pôr, os fantasmas surgem. Com medo, desde cedo eles te acompanham. Mas, com sorte, eles te esquecem um pouco dependendo do quanto consigas sorrir. Tive fantasmas e tenho medo. Com muitos, aprendi a conviver. Passo os dias conversando com eles e quando percebo meus fantasmas sou eu mesma. Não estão em mim, sou eu. Talvez eu tenha tanto medo por saber de que sou cheia. Fico espantada de ainda conseguir me erguer. Pesa, por vezes. Em todo o caso, por mais solitária cheia deles que me sinta, sou ainda cheia de "talvezes": talvez isso me passe, talvez aprenda a conviver comigo mesma em paz total um dia, talvez entenda que não tem muito mistério, é só ir indo. É só ter força, não sempre, mas sempre que necessário. Ser fraca pode me fazer forte, por assim entender muita coisa. Entendi tanto que nada me restou de poético, nem uma linha, nem um sonho, nem uma fantasia. Foi-se o tempo. Por isso acho que me fui daqui. Ainda amo. Mas acabo mais vivendo do que sonhando. Isso é bom. Meus fantasmas agradecem.

1.8.17

meu amor é um bicho

meu amor é um bicho
um bichinho cheio de manha
que todo o dia
mais um pouquinho me ganha

meu amor é um bicho
que precisa correr e gritar
e que às vezes é calma
mas é livre e escolheu amar

meu amor é um bicho
que nunca pensei me escolher
entre tantas por aí
resolveu comigo viver

meu amor é um bicho
mas também se faz canção
e também se faz ninho
vive sendo paixão

meu amor é um bicho
que me encontrou por aí
que enche de alegria meu coração
que anda comigo a sorrir

meu amor é meu bicho
que deita em meu colo
que acalanta meu sono
e que existe fora do sonho

31.7.17

2002

faz muito tempo
foi uma longa jornada
eu lembro de tudo
e enquanto eu relembro
penso no que sou hoje
mudei tanto
mas permaneci em mim
sinto-me grande
mesmo que tão pequena
é como se tantos anos passados
servissem para me mostrar
que eu sou eu ainda
mas eu sou tão mais eu
e é motivo de orgulho
escutando a música
que há 15 anos me fazia pensar em futuro
lembro do passado
e já são 15 anos...
deu vontade de chorar
o que fiz nesse tempo todo?
será que era esse o caminho?
será que devo crer no destino?
acho que sim
muito eu mudei
muito me mudou
muito me feriu e transformou
mas na essência, ainda sou eu
continuo acreditando no amor
mesmo que não exatamente o mesmo conceito
mas todo esse tempo
me fez mostrar que o tempo...
ah, o tempo...
o tempo não nos diz nada se não sabermos lidar
com ele
com o tempo a gente aprende o tempo
e agradece ao senhor do tempo
todo o tempo que tivemos e temos
e que bom que eu sou o que sou hoje
e ainda temos tanto tempo...

11.2.17

eu já vi o amor muitas vezes
e também vivi o amor muitas vezes
da mesma maneira, posso dizer
que talvez eu nunca o tenha encontrado
descobri que o amor mora ao lado
durante uma música em um lugar lotado
foi com uma de minhas besteiras
que o amor se viu desconfiado
então, como num ataque de certeza
em outro dia, ele quis provar
que certo ele, eu estava errada
ah, que bom que isso aconteceu
mas acho que foi tudo como planejado
sim, o destino, ele não falha
se a gente sabe acompanhar
(mas sem perder nosso próprios passos)
fica tão feliz que nem pode acreditar
daí por diante, ficou fácil
sem muito eu me perceber
eu estou aqui, mais uma vez
ou quem sabe, pela primeira vez
vendo o amor, mora aqui ao lado
vivendo amor, meio desconsertado
mas sendo amor,
sendo amado

(em 02/02/2017)

1.12.16

eu escrevo. é o que faço. eu reescrevo histórias, eu me reinvento, eu utilizo as palavras para tentar me entender. a vida inteira. eu falo de mim. talvez eu tenha uma necessidade de me auto-afirmar, mas só porque eu devo ser muito insegura. ao mesmo tempo, o que é bem louco, também sinto uma segurança enorme em minha alma, meu espírito, no que sou. fico achando que o mundo não está preparado para o que sou. de vez em quando alguém, em matéria de amor, faz-me achar que sou única. não sou única, apesar de ser. de vez em quando, gosto de ser. de vez em quando, não me importo. mas eu escrevo. eu gosto disso. e me reescrevo. e resolvi, dia desses, tentar te escrever: a pessoa mais difícil de se ler que já encontrei, mas não tem ninguém nos últimos tempos que tem me dado mais prazer de decifrar. tu és parecido comigo nesse sentido: parece estar todo do lado de fora, e de repente, adentrou em si. assustado. eu também. eu te entendo. tenho te gostado. tenho ido no embalo. bom embalo, boa dança, bom ritmo. então, te escrevo:

olá.

18.8.16

saudade é palavra que não existe em outro vocabulário e que acaba apenas renascendo em nosso peito de quando em quando.

como ter saudade de quem não está presente mas presente está sempre?

dói não poder te falar aquela besteira todo o dia e talvez o raro dos relacionamentos seja exatamente isso: podermos falar.

e ninguém me proibirá de sentir a saudade que sinto de ti todos os dias mesmo que um tanto surreal, virtual e um pouco me fazendo mal.

nao quero me sentir mal, e por isso segui. fui à frente, mesmo sem saber a direção, amanhã talvez eu não sinta tanto, mas a saudade é tanta, vigente, latente, tangente...

por que não fomos? o que somos? e o que fomos? o que éramos? onde estamos? por que erramos? em algo acertamos?

me deixe, me largue, me erre, mesmo que eu pergunte "tudo bem?", não venha, me esqueça, finja que nunca nos conhecemos, finja que nunca nos sentimos, dormimos, tocamos, finja que nunca nos sentimos nas conversas distantes, nas vontades vividas, nas saudades passadas...

volte.

vá embora.

me abrace.

e me deixe.

nunca deixei de amar você e você não faz ideia de como isso dói.

mas seria pior se eu tivesse deixado.

isso me faria pensar que essa efemeridade que tanto odeio existe em mim. e não existe. você ainda vive em mim. mas não vive mais comigo.

2.8.16

é difícil ver você se apaixonar por outra pessoa.
em todo o momento, eu penso "poderia ser eu".
dói, rasga o peito, não de ver a ingenuidade dessa paixão nova, mas dói porque eu sinto falta de quando foi a nossa paixão nova.
nós éramos tão destinados a ser, até fomos.
e dói, dói.
eu não sei descrever com outra palavra.

dói.

d
ó
i

dói que vai caindo de lado

d
   ó

...

        i

e sinto falta de teu corpo, da inebriação, do calor, da confiança, de tudo, exatamente como ela sente.
eu sinto que eu devo correr para longe de ti. se eu visse antes, corria.
eu vou tentar.

porque dói de todo meu coração ver você se apaixonando por alguém que era eu há 8 anos.
eu era incrível.

mas agora sou mais.

22.6.16

gosto do procedimento, gosto de te ter por perto do início ao fim. desde o primeiro momento, desde quando te vi. gosto de saber que estás, gosto de saber que sei de teus pormenores, gosto de ser tua amiga, como gosto de nossa amizade! gosto de te amar sem rótulo, gosto da reciprocidade, gosto de quando foi faz tempo, gosto do que aconteceu entre o nada e o tudo, gosto que refletimos e nos acertamos, reacertamos, gosto do detalhe. gosto que sejamos confidentes, gosto de te confiar, mesmo que tenha problemas em conseguir isso, gosto que demonstras que isso é possível. gosto das novidades descabidas, dos medos consideráveis, das inúmeras risadas, não gosto das brigas, mas até com elas aprendo (aprendemos), gosto dos áudios enviados, gosto das músicas tocadas, gosto dos sonhos vividos. gosto tanto de ti, de toda aquela coisa que é gostar de alguém. mas te gosto por tantos motivos que o gostar se torna ainda um maior bem.

em 22/06/2016

23.5.16

foi em uma noite mais ou menos fria
que meu corpo encontrou o teu
e foi num dia ensolarado
que a vida se encostou na tua
foi num dia esquecido
em que pude provar de ti
foi numa noite de som
que quis sair à rua
e naquela vã filosofia
de que seríamos
naquele solo da canção
em que notaríamos
naquela nota perdida
então nos achamos
e naquele achado noturno
nós ficamos

1.5.16

aiaiquetristezadedomingo.mp3

hoje senti falta. mas não foi aquela falta doída e chata. foi uma falta daquelas pessoas que em algum momento passaram por mim e deixaram flores. as flores de um dia mais bonito, as flores que me fizeram melhorar em algum aspecto, as flores que um dia tiveram espinho mas hoje só têm perfume. hoje senti falta de abraços que dei e foram fortes, apertados, aqueles que a gente dá sem saber quando vai dar outro. eu senti falta, mas não arrependimento, de todos os "eu te amo" que já disse, porque basicamente todos continuam verdadeiros. eu amo pessoas. sinto carinho, sinto saudade e sinto vontade delas. lembro muitas coisas, muitas minúcias, muitos detalhes de muitos momentos da vida de vez em quando e sinto falta. e tem vezes que a falta faz um bem danado. a gente acaba lembrando da razão de amar alguém(éns), e a gente fica com o espírito um pouco mais leve. a tristeza de domingo, resumida em uma melodia que parece ter combinado bastante comigo e que faz lembrar mais alguém que sinto falta (falta boa, tão boa!), não é bem uma tristeza, mas talvez uma melancolia, e dessa guitarrinha saiu isso, eu entendi o que ele quis dizer. talvez isso aqui nunca chegue às minhas pessoas certas, mas talvez chegue a alguém. tem alguém aí? sentes falta de alguém?

fala para essa pessoa: "sinto tua falta". não espera resposta. porque foi assim que eu já trouxe alegria de volta à minha vida. 

vocês são importantes, cada um que passou e passar por aqui por esse coração. e senti falta de vocês.