11.2.17

eu já vi o amor muitas vezes
e também vivi o amor muitas vezes
da mesma maneira, posso dizer
que talvez eu nunca o tenha encontrado
descobri que o amor mora ao lado
durante uma música em um lugar lotado
foi com uma de minhas besteiras
que o amor se viu desconfiado
então, como num ataque de certeza
em outro dia, ele quis provar
que certo ele, eu estava errada
ah, que bom que isso aconteceu
mas acho que foi tudo como planejado
sim, o destino, ele não falha
se a gente sabe acompanhar
(mas sem perder nosso próprios passos)
fica tão feliz que nem pode acreditar
daí por diante, ficou fácil
sem muito eu me perceber
eu estou aqui, mais uma vez
ou quem sabe, pela primeira vez
vendo o amor, mora aqui ao lado
vivendo amor, meio desconsertado
mas sendo amor,
sendo amado

(em 02/02/2017)

1.12.16

eu escrevo. é o que faço. eu reescrevo histórias, eu me reinvento, eu utilizo as palavras para tentar me entender. a vida inteira. eu falo de mim. talvez eu tenha uma necessidade de me auto-afirmar, mas só porque eu devo ser muito insegura. ao mesmo tempo, o que é bem louco, também sinto uma segurança enorme em minha alma, meu espírito, no que sou. fico achando que o mundo não está preparado para o que sou. de vez em quando alguém, em matéria de amor, faz-me achar que sou única. não sou única, apesar de ser. de vez em quando, gosto de ser. de vez em quando, não me importo. mas eu escrevo. eu gosto disso. e me reescrevo. e resolvi, dia desses, tentar te escrever: a pessoa mais difícil de se ler que já encontrei, mas não tem ninguém nos últimos tempos que tem me dado mais prazer de decifrar. tu és parecido comigo nesse sentido: parece estar todo do lado de fora, e de repente, adentrou em si. assustado. eu também. eu te entendo. tenho te gostado. tenho ido no embalo. bom embalo, boa dança, bom ritmo. então, te escrevo:

olá.

18.8.16

saudade é palavra que não existe em outro vocabulário e que acaba apenas renascendo em nosso peito de quando em quando.

como ter saudade de quem não está presente mas presente está sempre?

dói não poder te falar aquela besteira todo o dia e talvez o raro dos relacionamentos seja exatamente isso: podermos falar.

e ninguém me proibirá de sentir a saudade que sinto de ti todos os dias mesmo que um tanto surreal, virtual e um pouco me fazendo mal.

nao quero me sentir mal, e por isso segui. fui à frente, mesmo sem saber a direção, amanhã talvez eu não sinta tanto, mas a saudade é tanta, vigente, latente, tangente...

por que não fomos? o que somos? e o que fomos? o que éramos? onde estamos? por que erramos? em algo acertamos?

me deixe, me largue, me erre, mesmo que eu pergunte "tudo bem?", não venha, me esqueça, finja que nunca nos conhecemos, finja que nunca nos sentimos, dormimos, tocamos, finja que nunca nos sentimos nas conversas distantes, nas vontades vividas, nas saudades passadas...

volte.

vá embora.

me abrace.

e me deixe.

nunca deixei de amar você e você não faz ideia de como isso dói.

mas seria pior se eu tivesse deixado.

isso me faria pensar que essa efemeridade que tanto odeio existe em mim. e não existe. você ainda vive em mim. mas não vive mais comigo.

2.8.16

é difícil ver você se apaixonar por outra pessoa.
em todo o momento, eu penso "poderia ser eu".
dói, rasga o peito, não de ver a ingenuidade dessa paixão nova, mas dói porque eu sinto falta de quando foi a nossa paixão nova.
nós éramos tão destinados a ser, até fomos.
e dói, dói.
eu não sei descrever com outra palavra.

dói.

d
ó
i

dói que vai caindo de lado

d
   ó

...

        i

e sinto falta de teu corpo, da inebriação, do calor, da confiança, de tudo, exatamente como ela sente.
eu sinto que eu devo correr para longe de ti. se eu visse antes, corria.
eu vou tentar.

porque dói de todo meu coração ver você se apaixonando por alguém que era eu há 8 anos.
eu era incrível.

mas agora sou mais.

22.6.16

gosto do procedimento, gosto de te ter por perto do início ao fim. desde o primeiro momento, desde quando te vi. gosto de saber que estás, gosto de saber que sei de teus pormenores, gosto de ser tua amiga, como gosto de nossa amizade! gosto de te amar sem rótulo, gosto da reciprocidade, gosto de quando foi faz tempo, gosto do que aconteceu entre o nada e o tudo, gosto que refletimos e nos acertamos, reacertamos, gosto do detalhe. gosto que sejamos confidentes, gosto de te confiar, mesmo que tenha problemas em conseguir isso, gosto que demonstras que isso é possível. gosto das novidades descabidas, dos medos consideráveis, das inúmeras risadas, não gosto das brigas, mas até com elas aprendo (aprendemos), gosto dos áudios enviados, gosto das músicas tocadas, gosto dos sonhos vividos. gosto tanto de ti, de toda aquela coisa que é gostar de alguém. mas te gosto por tantos motivos que o gostar se torna ainda um maior bem.

em 22/06/2016

23.5.16

foi em uma noite mais ou menos fria
que meu corpo encontrou o teu
e foi num dia ensolarado
que a vida se encostou na tua
foi num dia esquecido
em que pude provar de ti
foi numa noite de som
que quis sair à rua
e naquela vã filosofia
de que seríamos
naquele solo da canção
em que notaríamos
naquela nota perdida
então nos achamos
e naquele achado noturno
nós ficamos

1.5.16

aiaiquetristezadedomingo.mp3

hoje senti falta. mas não foi aquela falta doída e chata. foi uma falta daquelas pessoas que em algum momento passaram por mim e deixaram flores. as flores de um dia mais bonito, as flores que me fizeram melhorar em algum aspecto, as flores que um dia tiveram espinho mas hoje só têm perfume. hoje senti falta de abraços que dei e foram fortes, apertados, aqueles que a gente dá sem saber quando vai dar outro. eu senti falta, mas não arrependimento, de todos os "eu te amo" que já disse, porque basicamente todos continuam verdadeiros. eu amo pessoas. sinto carinho, sinto saudade e sinto vontade delas. lembro muitas coisas, muitas minúcias, muitos detalhes de muitos momentos da vida de vez em quando e sinto falta. e tem vezes que a falta faz um bem danado. a gente acaba lembrando da razão de amar alguém(éns), e a gente fica com o espírito um pouco mais leve. a tristeza de domingo, resumida em uma melodia que parece ter combinado bastante comigo e que faz lembrar mais alguém que sinto falta (falta boa, tão boa!), não é bem uma tristeza, mas talvez uma melancolia, e dessa guitarrinha saiu isso, eu entendi o que ele quis dizer. talvez isso aqui nunca chegue às minhas pessoas certas, mas talvez chegue a alguém. tem alguém aí? sentes falta de alguém?

fala para essa pessoa: "sinto tua falta". não espera resposta. porque foi assim que eu já trouxe alegria de volta à minha vida. 

vocês são importantes, cada um que passou e passar por aqui por esse coração. e senti falta de vocês.

23.4.16


posso te perguntar uma coisa? você sente minha falta? porque eu às vezes sinto que não fui nada para você. eu não quero voltar, nem quero retornar, não quero fazer hoje o que nós fazíamos antes. porque nós não somos agora o que éramos antes. mas de vez em quando eu penso em ti como uma saudade tão vívida, tão presente, que agora me deu vontade de saber se você, nem que seja por 2 horas, sentiu saudade de mim também. eu não costumo - acho que você sabe disso - deixar palavras engasgadas, apesar de ter engolido várias por não querer me desgastar. mas eu tenho saudade. tive, estou tendo, não sei. e eu só queria saber se você sentiu um pouquinho de mim.

18.4.16

eu me alimento de esperança.
como o mar quando o vejo.
engulo a música que faz lembrar.
às vezes vomito a saudade de antes.
outras vezes arrisco segurar.

mas eu me alimento de sentires.
como a foto quando vejo.
engulo a pele que me fez tocar.
às vezes vomito a vontade de antes.
outras vezes arrisco superar.

eu me alimento de notas.
como tuas mãos quando as vejo.
engulo a palavra que faz lembrar.
às vezes vomito o que tu eras antes.
outras vezes arrisco ainda te amar.

porque eu disse que não ia mais pensar.
mas montana é alimento da alma.
e eu me alimento de esperança.
tudo certo vai dar. tudo dá.
então eu arrisco ainda em ti, às vezes,
por que não?
pensar.

16.4.16

aquarianidades.

surgimos um ao outro no momento errado um ao outro e estamos fadados ao insucesso de coisas cabíveis quaisquer a qualquer ser humano, entretanto, surgimos diferentes tão iguais um ao outro que a curiosidade foi instigada e ainda não apagada aqui por dentro de mim. em todo caso, entendo que mesmo igualmente magnetizados, somos igualmente incompatíveis nos quereres que surgem aqui e ali e como a mais pura poesia que poderia surgir de ponto em ponto, eu te escrevo, tu entendes e ficamos por aí e por aqui mesmo, tu sabes lá deusa onde, eu sabe lá deusa onde, mas estamos de alguma forma conectados por tantas estrelas, somos ao mesmo tempo sol e chuva, tão iguais, tão diferentes, e eu não sei contigo, tu estás em outro lugar que não aqui em meu mundo, mas é tão, tão, tão absurdamente óbvio que somos do mesmo universo que às vezes eu sequer acredito que fazemos parte disso tudo tão próximos. e tão distantes como algo que nunca (nunca?) vai acontecer, nunca nada (nada?) vai ocorrer entre os mundos que giram em torno de nós mesmos, salivando como se não houvesse amanhã, tocando como se a pele fosse desaparecer. somos dois de um mundo milagrosamente achado em nós, somos um de dois paralelos que aparentemente não se cruzarão, mas que andam lado a lado na adversidade do senso comum e que de vez em quando, de repente, dão as mãos.

somos o que não fomos e o que poderíamos ser.